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Resenha do livro "A Relíquia"

Resenha  sobre o livro “A relíquia” Editar

O livro "A relíquia" de Eça de Queirós (Póvoa de Varzim 1845 – Paris 1900) foi publicado pela editora typographia de A.J. da silva em 1887 na  cidade  de  Porto, Portugal. O escritor português formado na Universidade de Coimbra onde se formou em Direito, exerceu o cargo de jornalista e advogado; Queirós ficou consideravelmente bem conhecido pelo seu livro de romance, publicado em 1875, chamado "O Crime do Padre Amaro" e por isso muitos dos seus livros eram recheados de críticas.  

O livro conta a história de Teodorico Raposo, conhecido pelos mais íntimos como Raposão, que, após a morte dos pais foi morar com sua tia, Dona Patrocínio das Neves, em Lisboa. Desde então, ele passou a sempre rezar e ir à missa com sua tia, mas o fazia apenas por seu interesse na herança que um dia ela poderia lhe dar. 

Raposão, já adulto, mantinha em anonimato a parte da sua vida que continha os “relaxamentos” e mulheres, pois isso era o contrário de tudo que sua tia pregava . Um dia ela o mandou para uma peregrinação em Jerusalém, para lhe representar. No caminho, Raposão passa por Alexandria, onde conhece Mary que, na despedida, o presenteia com sua camisola. Em Jerusalém encontrou uma árvore de espinhos e cortou um ramo, dizendo que era a coroa de Jesus e levou para a tia, que havia pedido a mais santa das relíquias, enrolada em uma embalagem idêntica à da camisola.

A história critica fortemente a hipocrisia religiosa católica da época, fazendo citações à  morte de Jesus completamente diferentes  das presentes na bíblia. Tem um certo humor na ironia que acontece no desfecho e nas demais partes da narrativa, como no fato da tia ser tão moralista e o sobrinho tão boêmio e imoral. Também critica o interesse humano no dinheiro, porque o sobrinho age de forma diferente na presença da tia apenas para agradá-la. Mesmo com tudo dando errado nos planos de Teodorico,  ele nunca perde a esperança em conseguir a herança da sua tia, o que mostra que ele tem uma grande autoconfiança. Tem uma linguagem arcaica que pode dificultar um pouco a leitura, mas tem um enredo muito atrativo cheio de surpresas e decepções para o leitor.

A leitura da trama leva a reflexão com os temas atuais da sociedade, como por exemplo, a infidelidade praticada na trama por Teodorico com sua tia e também por Adélia com o Raposo. Visto que os temas abordados no livro mesmo sendo de uma época de publicação antigas, ainda estão presentes em nossa sociedade.

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